terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Beber da fonte

Não demore muito
O mundo não dá mole
De gole profundo
Divino tinto, demole tudo
Escorre o culto, ode
Decanto, pairo
Doce é o rio de Ubuntu

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Velar sem padecer

Quando morreu a poesia
aquele manto frio no chão
me fez casulo ferido
Dormi, ouvindo a escuridão

Acordei diminuto em minuto
sem pranto, miúdo, um grão
Do canto mudo, o vão

O vento me levou embora

domingo, 26 de junho de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

Querendo o meu bem

Sinto-me leve
Nada me pesa
Paz que me alça
Riso fácil
Vida-ócio
O pulso

Silêncio...
Ouço uma reza
em curso

sábado, 26 de dezembro de 2015

No Natal, tudo que reluz é ouro

Lembro-me bem,
era Dezembro...
Botas de couro
Pegadas, marcas
Longos caminhos
Chão fofo e denso

Tenso, flocos de neve
revestiam o oco do estômago,
acobertando o vazio do frio.
O âmago ainda sadio

Horas depois, uma cidade
com luzes piscantes
iluminando semblantes.
Jamais viu tantos enfeites.
De tão maravilhado, petrificou-se
A fome deu meia-volta e partiu...

O gélido garoto
hipnotizado com tantas luzes e cores,
só queria saber de brincar.
Pegou um dos pacotes sob a árvore,
abriu-o escondido e correu

Sobre um skate voador
flutuava no futuro
Perdeu-se
sorridente no tempo
sentia-se leve
por um instante...

O ouro? Deu branco!

Texto vencedor do 2o Concurso Cultural "Luzes de Natal" promovido pelo blog sobre o gênio Charlie Chaplin (http://blogchaplin.com).



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sir Merdian di Frapê

Monossílabo
Parco, raso
Parque abandonado
Point dos diálogos
entre vento e dobradiças
em assentos descascados

Lá passeiam os fenos
e a ferrugem faz morada
Tétanos sedentos riem
Há um bug no seu gene
Um berne ensaia um réquiem

Fulano, cê mira errado
A privada é pra cima
Morno caldo de pira aguado
Baldo, lira sem dedilhado
Só contempla o inesperado

Seu vazio é monólogo
Sem ecos, eca, tareco
peteleco na orêia seca, ogro

domingo, 20 de dezembro de 2015

Torre de papel

Incêndio
Milésimo andar
Doem as pernas
da rotina

Na retina de Renata
Medo, cansaço, alegria
Pulam em chamas
Queima a ata de Marina
O telegrama reclama

Palavras deturpam processos
Vertigem... despenca o rito
Queda livre

O grito, universal
O carbono, combustível
Outono controvertível
Fuligem no quintal

O céu azuleja e preza

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Ode angelical

Uno, uma
Sopro d'alma
que desfia brumas
descortina destinos
em canto encanta

Derrama dos olhos
a verdade branda
em rios verdes
que lavram vidas

Una
Céu e Terra
e me livra...
Livro-me

Bruna
O fel da maldade é nada
à sua doce bondade

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Brisálito

É agora que sinto os ares
de sonhos profundos
e suspiros noturnos

Hálitos de menta

O fim dos olhares
em pesadelos soturnos
e medos fugazes

A dica da avó
A vodka esquenta
E venta no céu da boca
Um anel despenca

Ninguém vê
Saturno também brinca
de bambolê

sábado, 31 de outubro de 2015

O jardineiro e a Primavera

Por que eu temeria o mar
se minha vida é uma ilha?
Sobreviver virou sonhar
Minha história foi ferida

Sigamos errantes
A Terra não foi prometida
como dito antes

Daraa a Deus dará
O sacrifício é o levante
A primavera álibi, será?
Busco flores noutro continente

Onde o nosso menino
perdeu sua pipa

sexta-feira, 30 de maio de 2014

Otimismo


O único caminho 
onde o encanto 
não se cansa de ver 
tantas flores sem espinhos

quinta-feira, 1 de maio de 2014

Ainda chego lá (Música)

Clique aqui e conheça a mais nova música de Daniel Leduki "Ainda chego lá". Ouça, curta, compartilhe ;)

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Cada um por si?

Hã?

Ultimamente o lema da sociedade parece ser este: "Cada um por si", mas este animal pensante (Espera-se) da Terra se esquece de que precisa do outro pra sobreviver de alguma forma e que mesmo assim, a vida não se baseia apenas no jogo de interesses e nas particularidades profissionais. Aliás, a graça da vida está nas emoções de experiências que absorvemos enquanto caminhamos. Veja, um celular novo parece ser mais interessante do que uma pessoa, não é mesmo? Pois é...

Assim como canto na música "Behind the eyes there are souls" ("Atrás dos olhos existem almas", trecho da música "The giant has awoken") creio que haja ainda, uma centelha de esperança que traga à tona (Sem essa vergonha contida e careta) aquele sentimento mais humano, genuíno, puro e alvo que iniciou-se como semente dentro da gente, quando tomávamos corpo dentro do ventre. Sejamos generosos e francos com a verdade e com a vida! Felizmente não tenho a ver com a frustração dos outros.

Faço o que posso, mas se continuar assim, a única saída será viver no mato e aprender a linguagem espiritual do que resta na natureza. É bem provável que dialogar horas a fio com outras espécies e com o céu seja mais proveitoso, e não menos divino...