quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Poema gourmet

Sem páprica nos papiros
Papilas adoram desvendar
uma massa folhada
enquanto pupilas
se escondem

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Meu provérbio chinês

Subverter a língua
É saborear o dorso
De um verso

Arrepio
No plexo do verbo
Cala frio
O medo
Deságua
Rio
Tao
Cedo

domingo, 24 de setembro de 2017

Cinta-liga pra mim?

Memórias afetivas
São divas adormecidas
Nos panos, em sedas
No cheiro de flores
Intrometidas nos seios
Em meias-taças
Fartas de desejo
De sabores de pele
Sob meias-verdades
No vazio dos scarpins
Que já não dançam mais

Mas quando tocadas
Num breve beijo de ilusão
Desnudam-se pra nos seduzir
Nos embreagar em vão
E mais uma vez partir

sábado, 9 de setembro de 2017

Migalhas enjoam

Não tente provar algo a todo instante
A língua perde o tato, fica dormente
O sabor do prato itinerante
O labor do ato um ser errante
Míngua é mágoa latente
sob a névoa no horizonte

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Despertar dos lírios

Adoro folhas, folhas em branco
Bailando ao som da ventania
No tempo brando da poesia
Meu céu é blues-epifania

Trago um pouco dessa vida
A luz sussurra e faz morada
Respiro, suspiro, e mais nada...
Centelhas despertam os lírios

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Deposto à revelia

Solidão é prisão
de grades abertas
de certezas incertas
do chão virar vazio
do cão latir vadio
na escuridão, o frio
de feridas abertas

sábado, 12 de agosto de 2017

Inter-pele-me

Descubra-me
Veja minha alma
nua em chama
Lua lambida de Sol

Interpele esta pele que reclama
Deite e cale quem lhe ama
Fogo é ficar só

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Vencer alguém

Vencer
Por que é preciso?
Se já soul
O meu tudo é viver

Simplesmente repouso
em meus braços
e voo

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Beber da fonte

Não demore muito
O mundo não dá mole
gole profundo
Divino tinto, demole tudo
Escorre o culto, ode
Decanto, pairo
Doce é o rio de Ubuntu

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Velar sem padecer

Quando morreu a poesia
aquele manto frio no chão
me fez casulo ferido
Dormi, ouvindo a escuridão

Acordei diminuto em minuto
sem pranto, miúdo, um grão
Do canto mudo, o vão

O vento me levou embora

domingo, 26 de junho de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

Querendo o meu bem

Sinto-me leve
Nada me pesa
Paz que me alça
Riso fácil
Vida-ócio
O pulso

Silêncio...
Ouço uma reza
em curso

sábado, 26 de dezembro de 2015

No Natal, tudo que reluz é ouro

Lembro-me bem,
era Dezembro...
Botas de couro
Pegadas, marcas
Longos caminhos
Chão fofo e denso

Tenso, flocos de neve
revestiam o oco do estômago,
acobertando o vazio do frio.
O âmago ainda sadio

Horas depois, uma cidade
com luzes piscantes
iluminando semblantes.
Jamais viu tantos enfeites.
De tão maravilhado, petrificou-se
A fome deu meia-volta e partiu...

O gélido garoto
hipnotizado com tantas luzes e cores,
só queria saber de brincar.
Pegou um dos pacotes sob a árvore,
abriu-o escondido e correu

Sobre um skate voador
flutuava no futuro
Perdeu-se
sorridente no tempo
sentia-se leve
por um instante...

O ouro? Deu branco!

Texto vencedor do 2o Concurso Cultural "Luzes de Natal" promovido pelo blog sobre o gênio Charlie Chaplin (http://blogchaplin.com).