domingo, 24 de junho de 2018

A culpa nunca é minha

Hipocrisia é teimosia de brisa
em dizer que um barco à vela
deve sempre navegar

Realmente ao teu lado

A concepção da realidade
está limitada ao raio
de sua observação

Tua verdade
caminha sempre
contigo

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Poema gourmet

Sem páprica nos papiros
Papilas adoram desvendar
uma massa folhada
enquanto pupilas
se escondem

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Meu provérbio chinês

Subverter a língua
É saborear o dorso
De um verso

Arrepio
No plexo do verbo
Cala frio
O medo
Deságua
Rio
Tao
Cedo

domingo, 24 de setembro de 2017

Cinta-liga pra mim?

Memórias afetivas
São divas adormecidas
Nos panos, em sedas
No cheiro de flores
Intrometidas nos seios
Em meias-taças
Fartas de desejo
De sabores de pele
Sob meias-verdades
No vazio dos scarpins
Que já não dançam mais

Mas quando tocadas
Num breve beijo de ilusão
Desnudam-se pra nos seduzir
Nos embreagar em vão
E mais uma vez partir

sábado, 9 de setembro de 2017

Migalhas enjoam

Não tente provar algo a todo instante
A língua perde o tato, fica dormente
O sabor do prato itinerante
O labor do ato um ser errante
Míngua é mágoa latente
sob a névoa no horizonte

quinta-feira, 7 de setembro de 2017

Despertar dos lírios

Adoro folhas, folhas em branco
Bailando ao som da ventania
No tempo brando da poesia
Meu céu é blues-epifania

Trago um pouco dessa vida
A luz sussurra e faz morada
Respiro, suspiro, e mais nada...
Centelhas despertam os lírios

terça-feira, 22 de agosto de 2017

Deposto à revelia

Solidão é prisão
de grades abertas
de certezas incertas
do chão virar vazio
do cão latir vadio
na escuridão, o frio
de feridas abertas

sábado, 12 de agosto de 2017

Inter-pele-me

Descubra-me
Veja minha alma
nua em chama
Lua lambida de Sol

Interpele esta pele que reclama
Deite e cale quem lhe ama
Fogo é ficar só

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Vencer alguém

Vencer
Por que é preciso?
Se já soul
O meu tudo é viver

Simplesmente repouso
em meus braços
e voo

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Beber da fonte

Não demore muito
O mundo não dá mole
gole profundo
Divino tinto, demole tudo
Escorre o culto, ode
Decanto, pairo
Doce é o rio de Ubuntu

segunda-feira, 26 de setembro de 2016

Velar sem padecer

Quando morreu a poesia
aquele manto frio no chão
me fez casulo ferido
Dormi, ouvindo a escuridão

Acordei diminuto em minuto
sem pranto, miúdo, um grão
Do canto mudo, o vão

O vento me levou embora

domingo, 26 de junho de 2016

domingo, 10 de janeiro de 2016

Querendo o meu bem

Sinto-me leve
Nada me pesa
Paz que me alça
Riso fácil
Vida-ócio
O pulso

Silêncio...
Ouço uma reza
em curso

sábado, 26 de dezembro de 2015

No Natal, tudo que reluz é ouro

Lembro-me bem,
era Dezembro...
Botas de couro
Pegadas, marcas
Longos caminhos
Chão fofo e denso

Tenso, flocos de neve
revestiam o oco do estômago,
acobertando o vazio do frio.
O âmago ainda sadio

Horas depois, uma cidade
com luzes piscantes
iluminando semblantes.
Jamais viu tantos enfeites.
De tão maravilhado, petrificou-se
A fome deu meia-volta e partiu...

O gélido garoto
hipnotizado com tantas luzes e cores,
só queria saber de brincar.
Pegou um dos pacotes sob a árvore,
abriu-o escondido e correu

Sobre um skate voador
flutuava no futuro
Perdeu-se
sorridente no tempo
sentia-se leve
por um instante...

O ouro? Deu branco!

Texto vencedor do 2o Concurso Cultural "Luzes de Natal" promovido pelo blog sobre o gênio Charlie Chaplin (http://blogchaplin.com).



terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Sir Merdian di Frapê

Monossílabo
Parco, raso
Parque abandonado
Point dos diálogos
entre vento e dobradiças
em assentos descascados

Lá passeiam os fenos
e a ferrugem faz morada
Tétanos sedentos riem
Há um bug no seu gene
Um berne ensaia um réquiem

Fulano, cê mira errado
A privada é pra cima
Morno caldo de pira aguado
Baldo, lira sem dedilhado
Só contempla o inesperado

Seu vazio é monólogo
Sem ecos, eca, tareco
peteleco na orêia seca, ogro

domingo, 20 de dezembro de 2015

Torre de papel

Incêndio
Milésimo andar
Doem as pernas
da rotina

Na retina de Renata
Medo, cansaço, alegria
Pulam em chamas
Queima a ata de Marina
O telegrama reclama

Palavras deturpam processos
Vertigem... despenca o rito
Queda livre

O grito, universal
O carbono, combustível
Outono controvertível
Fuligem no quintal

O céu azuleja e preza